Dando início aos aspectos práticos que a presente série de artigos se propõe, passamos a levar em consideração o mercado consumidor mais pujante do mundo. Falamos dos Estados Unidos, com o seu Produto Interno Bruto de aproximadamente 20 trilhões de dólares. A partir de agora, antes mesmo de adentrar aos desafios do empreendedor brasileiro naquele país, vamos compreender as principais razões pelas quais empresários do mundo inteiro realizam investimentos na terra do Tio Sam.
Numa rápida busca pela internet, encontramos os Estados Unidos sempre entre os primeiros nos rankings sobre a facilidade de se fazer negócios. Mas quais critérios permitem que certos países alcancem posições de liderança? Por que as nações são mais ou menos amigáveis para se fazer negócios? Bem, vamos listar aqui alguns dos pontos de relevância para a tomada de decisão do empresariado.
1. Qualidade de vida
Apesar de uma grande parcela do empresariado não estar interessada em transferir a sua residência, alguns fatores são determinantes e proporcionam grande impacto tanto para residentes como para não residentes. Mesmo sendo um país que apresente ótimos desempenhos em medidas de bem-estar, como renda, emprego e moradia, a educação, entenda-se, como qualificação profissional, é um grande exemplo dessa relevância.
Contar com prestadores de serviços qualificados podem impactar positivamente no negócio. Nos Estados Unidos, 90% dos adultos com idades entre 25 e 64 anos concluíram o ensino médio, muito acima da média da OCDE, de 74%.
2. Cultura Empreendedora
Esse tópico mereceria um artigo a parte. É inegável a importância e o reconhecimento dos Estados Unidos como sendo berço de uma cultura extremamente empreendedora. Empresas como Microsoft, Apple, Google e Amazon, por exemplo, demonstram o DNA estadunidense.
A capacidade de inovação é, de fato, um fenômeno.

E o Estado também possui papel importante, na medida em que encara a empresa como unidade dinamizadora da economia. Há um claro entendimento de colaboração entre governo e empresa. Enfim, o vigor do crescimento passa necessariamente pela capacidade de o Estado induzir a competitividade dos negócios presentes na sua região, particularmente, a construção de ambiente e condições favoráveis à internacionalização.
Eventual o fracasso deve ser um estímulo para a melhora. Eis um paradigma que necessitamos alterar com urgência. A cultura empreendedora dos EUA tem esse espírito de arriscar e fugir pela tangente do ciclo mercadológico, sem medo do resultado imediato. Fracassou? Levante a cabeça!
3. Burocracia
Os EUA igualmente se destacam por ter um menor número de entraves burocráticos em comparação com outros países. O tempo médio para abertura de uma empresa é de 6 dias. No Brasil são necessários nada menos do que 79 dias. A diferença é brutal, mas não se resume a isso.
Dentre outros fatores, a menor burocracia se dá para a execução e resolução de contratos, para o comércio internacional, para obtenção de alvarás de construção, para obtenção de crédito, para o registro de propriedade, etc.
Não há dúvida de que esse conjunto de vantagens asseguram um ambiente altamente convidativo ao empresário.
4. Sistema Financeiro Sólido
Em que pese a ameaça que o surgimento de criptomoedas pode proporcionar, o Sistema Financeiro Internacional ainda é sistematicamente ligado aos Estados Unidos, por meio do dólar, que possui papel fundamental nas transações financeiras globais.
A consistência e a força da intermediação financeira norte-americana, assim como os seus bancos de investimento, suas companhias de seguros, e o mercado de ações e de títulos garantem extrema credibilidade para fins de investimento. Os riscos são minorados.
Por fim, ressalta-se que, mesmo em tempos de crise, como foi o caso da bolha imobiliária de 2008, o crescimento americano foi superior aos 2% ao ano.
5. Estabilidade Estatal
A máquina pública, os índices de liberdade econômica e a perspectiva de que o poder não será tomado por meios revolucionários, também são fatores preponderantes para a tomada de decisão do empresariado. O último levantamento realizado pela Heritage Fundation apontou os Estados Unidos no 18º lugar no ranking de liberdade econômica. O Brasil aparece no 153º lugar.
Além disso, a recente reforma tributária e os programas de investimento do atual governo, estimulam à atividade empresarial dentro do país, tanto para empresas nacionais como para estrangeiras.
Assim, para aquele decidir se estabelecer legalmente nos EUA, pagando impostos, gerando emprego e renda, certamente poderá usufruir de uma imensa gama de investimentos., isenções e benefícios fiscais e mercadológicos.
Com este cenário, as companhias poderão não apenas se destacar no mercado interno, mas também se tornar competitivas em âmbito mundial.
Ultrapassada as características que, sem dúvida, revelam algumas das justificativas para as corporações optarem pelo mercado americano, apresentaremos, no próximo episódio, a mais recente reforma tributária estadunidense, com seus impactos e perspectivas.
Seguimos em frente…
por Maurício Mondadori



